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Os
sons que nos unem
Marlene
Neto
"Muito mais é o que
nos une que aquilo que nos separa". A frase é extraída
de uma música de Rui Veloso, mas podia perfeitamente
servir de slogan à candidatura do Património Oral e
Imaterial Galaico-Português a Património Mundial da
UNESCO, que ontem foi divulgada através da Gala dos
Meninos Cantores, na Casa da Música, no
Porto.
Dois dias depois do espectáculo
comemorativo do nascimento de Mozart, a sala 1 da
instituição portuense voltou a encher. Desta vez, os
festejos ficaram a dever-se a todo o conjunto de
tradições galaico-portuguesas, ligadas a actividades
agrícolas, artesanais ou festivas, que compõem um
património oral e imaterial comum às duas
regiões.
A música, naturalmente, foi a
protagonista da tarde na Gala dos Meninos Cantores,
apresentada por Sónia Araújo e Avelino Gonzalez. Este
último, particularmente ovacionado pela sua jovialidade
durante todo o espectáculo, apontou "Numa altura em que
se sabe que o projecto do TGV entre Portugal e Espanha
será adiado, importa dizer que a tradição já é o nosso
TGV".
O espectáculo, que contou, entre outros,
com as participações de duas escolas, de Isabel
Silvestre e da espanhola Susana Seivane, foi para a
delegada Regional da Cultura Norte, Helena Gil, "um
óptimo pretexto para a divulgação da candidatura do
Património Imaterial Galaico-Português".
Esta
candidatura tem dois anos e nasceu da proposta da
associação "Ponte...nas Ondas!", na qual participam 55
escolas do Norte de Portugal e da Galiza, e que
anualmente propõe um temaque será debatido em 24 horas
de programação radiofónica por cada escola. Como
explicou Helena Gil, "um dos pontos fortes desta
candidatura teve que ver com o facto de ela ter partido
da vontade da sociedade civil, e não do governo. A este
coube, depois, formalizar o projecto que precisava,
naturalmente, de apoio institucional".
Esta é a
primeira candidatura a património mundial apresentada à
UNESCO promovida por escolas. Dia 25 deste mês, em
Paris, ficará a saber-se se o Património Imaterial
Galaico-Português será elevado a Património Mundial da
UNESCO, e se, de facto, o Norte de Portugal e a Galiza
estão ainda mais perto do que aquilo que a própria
geografia ditou. | | |
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